Coluna Histórias & Estórias – Por Chico Lelis:

A história do HC para a Imprensa em Interlagos

Corria o ano de 1990 e depois de algumas corridas da F1 em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, Interlagos voltava a abrigar a mais famosa prova do automobilismo mundial. Milhares de pessoas, de diversas nações, no público, e centenas de jornalistas do mundo inteiro, no Autódromo José Carlos Pace. E Ayrton Senna era a grande estrela, pronto para ganhar o seu primeiro GP na capital paulista. Mas Alain Prost não deixou. E a primeira vitória, em São Paulo, só veio em 1991 para o piloto brasileiro.

Naqueles dois anos nós, da turma de Comunicação da GM tivemos a ideia de criar um “hospitality center” (HC), exclusivo para os jornalistas e fotógrafos que cobriam o GP. Isso porque percebemos, ainda no Rio de Janeiro, que a Imprensa não contava com um lugar onde pudessem descansar, se alimentar, deixar seu material de trabalho, enquanto buscavam informações nos boxes ou junto aos afortunados que tinham acesso ao paddock.

Além disso, com a ajuda do pessoal da Campo de Provas, os fotógrafos eram levados para os pontos determinados pela FIA, de onde poderiam fazer fotos em segurança.

O HC ficava junto à antiga saída do Sol (conhecida curva do autódromo), descendo para a curva do Sargento. Era uma grande tenda, montada para dar conforto aos jornalistas e fotógrafos, onde todos tinham acesso exibindo a credencial fornecida pela FIA. Ali tinham o conforto de sanduíches, refrigerantes e água.

Foi um sucesso no meio. No ano seguinte, um jornalista da Polônia trouxe uma lembrança, um pequeno boneco, símbolo do seu País, confeccionado em crochê, por sua esposa. O jornalista disse que foi um presente para uma turma que havia dado um tratamento para seu marido, como ninguém o fizera antes pelo mundo inteiro da F1.

A identidade contestada

A “testeira” do HC com o nome do patrocinador gerou uma pequena discussão entre os seus representantes e Tomas Rohony, o responsável pela F1 no Brasil, braço direito do então todo poderoso da categoria, Bernie Ecclestone.

Ao chegar ao autódromo na sexta-feira, antes da corrida de 1990, Tamas argumentou que a “testeira” era fora dos padrões da F1 e teria que ser trocada ou exigiria um pagamento extra para continuar no tamanho que tinha.

Mas ele se esquecera que tempos antes, havia assinado um contrato onde cada detalhe do local estava descrito com todos os detalhes, não havendo dúvidas quanto ao que lá fora montado. No documento, contava as assinaturas do próprio Tamas, do Bernie e representantes da empresa.

E a “testeira” seguiu lá, por dois anos seguidos, dentro dos parâmetros estabelecidos e identificando o lugar onde jornalistas e fotógrafos do mundo inteiro, incluindo brasileiros, claro, puderam se abrigar do calor de Interlagos.

“Diz a lenda” que outras empresas passaram a fazer algo semelhante pelo circuito do circo da F1 mundo afora. (Chico Lelis – chicolelis@gmail.com).

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