O que considerar na hora de financiar um carro em tempos de juros altos

Os Juros médios de financiamento de veículos no Brasil estão próximos de 30% ao ano. Mesmo assim, a maioria dos consumidores ainda depende do crédito para comprar carro novo, usado ou até elétrico, mas, antes de fechar negócio, é fundamental avaliar muito além do valor da parcela.

ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) pode orientar os consumidores sobre os principais pontos que devem ser analisados: CET (Custo Efetivo Total), prazos, entrada, seguros e taxas embutidas. A sugestão é uma matéria de serviço que compare as condições de financiamento para diferentes tipos de veículos e mostre as vantagens e diferenças entre bancos de montadoras e bancos tradicionais.

A seguir, as principais questões dos consumidores, respondidas pela entidade;

1. Qual é a taxa de juros média para financiar um carro hoje?

De acordo com levantamento da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), a taxa média de juros por ano para financiar um veículo é de 27,3% para pessoa física, o maior patamar em mais de uma década. Bancos de montadora podem oferecer taxas menores, a partir de 20% ao ano, pois costumam ser subsidiados pelas próprias montadoras, que criam campanhas especiais.  Mas é importante ressaltar que os valores dependem do perfil de crédito do cliente e do modelo de carro adquirido.

2. É melhor financiar por banco tradicional, banco da montadora ou financeira independente?

A diferença na oferta de crédito por essas instituições está separada da seguinte forma:

  • Bancos da montadora: geralmente oferecem condições promocionais para veículos novos, com prazos mais longos e entrada reduzida;
  • Bancos tradicionais: dão mais flexibilidade (financiam também usados), mas as taxas costumam ser mais altas;
  • Financeiras independentes: podem ter ofertas competitivas, mas exigem atenção ao Custo Efetivo Total (CET).

3. Além dos juros, o que é crucial observar no contrato?

O consumidor deve verificar as demais tarifas para não se surpreender:

  • CET (Custo Efetivo Total), que inclui tarifas e seguros;
  • Valor da entrada, que pode reduzir consideravelmente os juros pagos;
  • Prazo do financiamento, já que quanto maior, mais caro será o custo final;
  • Cláusulas de quitação antecipada, taxas administrativas e seguros embutidos.

4. É mais vantajoso financiar carro novo ou usado?

Carros novos oferecem garantia e menor manutenção, mas exigem entrada maior e valor financiado mais alto. Já os usados têm preço inicial mais baixo, mas juros normalmente mais altos e custos maiores de revisão. Em momentos de crédito caro, financiar um seminovo com bom histórico pode ser uma boa escolha.

5. Carros elétricos e híbridos têm financiamento diferenciado?

Sim. Alguns bancos oferecem taxas menores para veículos de baixa emissão. Alguns oferecem taxas exclusivas, a partir de 1,29% ao mês para elétricos e híbridos. Ainda assim, o preço inicial mais alto desses modelos pesa no financiamento.

6. Qual entrada é exigida e como isso afeta as parcelas?

Embora seja possível encontrar financiamentos sem entrada, o padrão de mercado é 20% a 30% do valor do veículo. Quanto maior a entrada, menores são os valores das parcelas e os juros pagos no total.

7. Qual é o impacto do prazo de financiamento?

Prazos longos (até 60 meses) aliviam o orçamento mensal, mas aumentam bastante o custo total. Já prazos curtos (24 a 36 meses) reduzem o gasto com juros, mas elevam as parcelas. O ideal é equilibrar prazo e parcela dentro da capacidade financeira da família.

8. Quais cuidados tomar para não cair em armadilhas?

Conferir se o banco informou o CET;

Desconfiar de taxas “milagrosas” abaixo da média de mercado;

Verificar se há seguros e tarifas embutidos;

Calcular o custo total de propriedade: financiamento + combustível + seguro + manutenção.

9. O financiamento de elétricos compensa no cenário atual?

Apesar do valor mais alto, o comprador deve considerar benefícios como menor gasto com combustível, IPVA reduzido ou isento em alguns estados e manutenção mais simples. Para quem roda muito e consegue linhas de crédito verde, pode compensar financeiramente em médio prazo. Porém, os pontos de recarga são ainda uma preocupação longe dos grandes centros urbanos.

10. Quais os produtos de financiamento de veículos existentes no mercado?

CDC (Crédito Direto ao Consumidor):

  • É a forma mais comum. O cliente pega o crédito no banco/financeira e paga em parcelas fixas (juros + amortização);
  • O veículo fica em alienação fiduciária (em nome do banco até a quitação);
  • A taxa de juros varia de acordo com o perfil de crédito e os prazos são de até 60 meses, em média;
  • É indicado para: quem quer previsibilidade nas parcelas.

Leasing (Arrendamento Mercantil):

  • Parecido com aluguel de longo prazo, o cliente paga parcelas para usar o carro e, no fim do contrato, pode comprar o bem pelo valor residual;
  • Essa modalidade de crédito não tem incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Pode ser vantajoso para empresas (benefícios fiscais) e o veículo fica em nome da financeira até a opção de compra;
  • Mais indicado para: empresas ou consumidores que pensam em trocar de carro com frequência.

Consórcio de Veículos:

  • É a modalidade de compra programada, sem juros;
  • O cliente paga parcelas mensais e, quando contemplado por sorteio ou lance, recebe carta de crédito para comprar o veículo. Há cobrança de taxa de administração e pode demorar para ser contemplado;
  • É uma boa alternativa para quem não tem pressa, por isso é indicado a quem planeja a compra do veículo a médio ou longo prazo.

Financiamento Balão (ou Balloon Payment):

  • Atualmente uma das modalidades mais procuradas em bancos de montadoras;
  • É indicada para quem quer parcelas baixas e pretende trocar de carro em poucos anos;
  • O cliente paga parcelas menores durante o contrato e, ao final, uma parcela maior (residual).

Leasing Operacional/Assinatura de Veículos:

  • Trata-se de um modelo mais recente, oferecido por montadoras e locadoras;
  • O consumidor paga uma mensalidade para usar o carro (inclui IPVA, manutenção e seguro);
  • Nesse caso, não há aquisição do bem no final (a não ser que haja opção de compra);
  • O custo pode ser maior do que financiamento no longo prazo e quem
    contrata não precisa se preocupar com manutenção, documentação e seguro

Cartas de Crédito Especiais (linhas verdes para elétricos e híbridos):

  • Para quem quer comprar um elétrico ou híbrido, existem linhas de financiamento diferenciadas para carros de baixa emissão, oferecidas por alguns bancos;
  • Os juros são menores do que o CDC tradicional e há condições especiais de entrada e prazo. É indicado para quem vai comprar elétrico/híbrido e busca financiamento mais sustentável. (Foto: Divulgação).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *