Coluna Histórias & Estórias – Por Chico Lelis:

Testes da Engenharia: O dia em que

o 1.0 andou mais que o 3.0 e outros

Eram viagens exclusivas da Engenharia, para avaliar os futuros lançamentos da marca e mudanças nos modelos já em produção. Então tinha Omega 3.0, Vectra 2.0, Astra 1.8, S10 e, claro, o Corsa 1.0. Eram longos trechos por milhares de quilômetros por estradas pelo Norte, Sul, Sudeste, para avaliar a condição de cada veículo por diferentes condições de climas e pavimentos.

Com o tempo, essas viagens deixaram de ser exclusividade da Engenharia. Eu argumentei junto a Diretoria que faríamos melhor nosso trabalho de divulgação se conhecêssemos melhor o produto. Depois dos companheiros de Imprensa da fábrica, participou também o pessoal de Marketing e, por fim, até da agência de propaganda.

Foi em uma dessas viagens que tive o prazer de me aproximar de um dos engenheiros do Campo de Provas, um dos seres mais bem-humorados que conheci, muito embora não o demonstrasse ser assim. Estava sempre quieto, prestando atenção em tudo e sempre pronto para fazer um comentário, ou aplicar um “golpe” que trouxesse alegria ao grupo e foi isso que fez em uma das viagens de avaliação.

Teve ele a incumbência de, em um determinado trecho das muitas viagens, de “tocar” o Corsa 1.0, por muitos quilômetros, via rádio, a equipe “cobrava” dele a sua “incapacidade” de acompanhar o comboio, composto por Omega 3.0, Vectra 2.2, Astra 2.0 e até duas S10, uma delas de apoio com peças de reposição e até combustível.

Depois de algumas horas de viagem, a parada para o almoço. O engenheiro então levantou-se antes de todos e disse que sairia na frente para não “atrapalhar“ o comboio. Todos ainda ficaram para o cafezinho.

E ele rodou alguns quilômetros, parou o Corsa 1.0 e o escondeu atrás de um caminhão que estava parado em uma área de descanso.

Minutos depois que o comboio passou, veio à tona o humor daquele profissional, cobrando de todos pela “morosidade” como estavam dirigindo.

– Já cheguei aqui no km 120, onde vocês estão? Não conseguem acompanhar o meu 1.0? Cobrava ele que ainda estava no km 80, atrás de todos.

E repetiu por alguns minutos a brincadeira, até que a distância entre ele e o comboio impediu a comunicação por rádio e todos resolveram parar. Foi quando ele chegou, rindo muito de todos, que riram também. Fazer o que?

As viagens de avaliação

Eram viagens que a Imprensa Especializada fazia uma perseguição implacável para descobrir as novidades das fábricas, nos tempos em que os lançamentos ainda causavam surpresas.

Em uma delas estava ao lado de um dos engenheiros em um Omega, na viagem de avaliação do modelo.

Percebi que ao passar por um bu8raco, o “piloto” puxava o volante, como se quisesse evitar o buraco.

– Ei – perguntei –  por que você puxa o volante, como se fosse conseguir evitar o buraco?

– É que sou ciclista e faço isso com o guidão da bike para não perder o pneu.

Mas, voltando à Imprensa especializada, fotógrafos subiam em árvores (dormiam e delas caiam), carros perseguiam os comboios e houve até o caso do aluguel de um helicóptero, pelo Jornal do Carro (hoje usariam drones) para fotografar um modelo da Ford. Só não conseguiram sucesso porque o Seccão (Luiz Carlos da Silva Secco), da Imprensa da Ford, pediu que o pessoal do comboio tirasse suas calças e ficassem deitados sobre o carro, um Corcel.

Em mais uma frustração da Imprensa, alguém, chegou ao Campo de Provas e avisou que haviam “espiões” da revista 4 Rodas, em um carro lá na saída da estrada, que dava acesso ao campo. O comboio saiu na hora marcada, 7 horas da manhã, por uma trilha desconhecida pelo pessoal da revista que foi avisado lá pelas 10 horas que a turma já havia partido.

Mas, em muitas vezes alguém conseguia um “furo” e o segredo de fábrica era revelado ao público que corria para as bancas conhecer as novidades apresentadas pelos jornais e revistas que enchiam nossos olhos com as “máquinas” da época. (Chico Lelis – chicolelis@gmail.com/Fotos: Divulgação).

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