Recarga rápida (DC) cresce 33% em três meses e puxa a expansão da rede

Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e a Tupi, plataforma de Mobilidade Elétrica, apresentam a atualização da base nacional de pontos de recarga de veículos elétricos, com dados consolidados até maio de 2026.

O Brasil já conta com 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga. Na comparação com o último levantamento, de fevereiro de 2026 (21.060), a rede cresceu 20,7% em apenas três meses, ritmo que confirma a aceleração estrutural da eletromobilidade no país.

A frota de veículos elétricos plug-in no Brasil (BEV e PHEV), contabilizados de 2022 a maio de 2026, totaliza 505.806 unidades, o representa uma relação de 19,9 veículos elétricos plug-in por eletroposto.

Do total dos veículos elétricos plug-in:

  • 52,7% (266.752 veículos) são híbridos plug-in (PHEV) e possuem dependência parcial da infraestrutura, pois também operam com motor a combustão;
  • 47,3% (239.054 veículos) são 100% elétricos (BEV) e dependem totalmente dos carregadores.

Tipos de carregadores

Dos 25.429 pontos existentes, 66% (16.828) oferecem recarga lenta (AC) e 34% (8.601) são de recarga rápida (DC). A recarga rápida segue liderando o avanço, e sua participação na rede subiu de 30,8% para 33,8% em três meses.

Expansão dos Carregadores Rápidos (DC):

  • Fevereiro de 2026: 6.479;
  • Maio de 2026: 8.601;
  • Crescimento: 32,8%.

Expansão dos Carregadores Lentos (AC):

  • Fevereiro de 2026: 14.582;
  • Maio de 2026: 16.828;
  • Crescimento: 15,4%.

O dado mais significativo deste levantamento é a reação da recarga lenta (AC). No levantamento anterior, o AC vinha em desaceleração e havia crescido apenas 17,6% em 12 meses. Agora, fez quase o mesmo avanço em apenas três meses.

A virada coincide com a entrada em vigor da Lei 18.403/2026, sancionada em São Paulo, que assegura o direito à instalação de carregadores em vagas privativas de condomínios, eliminando uma das principais barreiras históricas à recarga residencial e semipública.

“Dois movimentos definem este trimestre. Os carregadores lentos (AC), que vinham em baixa, reagiram e a regulamentação de São Paulo, garantindo recarga em condomínios, tem papel direto nisso. E o crescimento dos Carregadores Rápidos (DC) começa a ser puxado por uma nova geração de carregadores ultrarrápidos com potências que hoje chegam a 480 KWH e muitas vezes com quatro a dez posições de recarga”, disse Davi Bertoncello, diretor executivo da Tupi e diretor de Comunicação da ABVE.

“O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala, estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país”, acrescentou o diretor executivo da Tupi.

Geografia

A expansão da rede avançou em todas as regiões, mas com ritmos e perfis distintos. O destaque foi o Norte, que cresceu 30,7% no total de pontos e lidera disparado a expansão da recarga rápida, com alta de 51% no DC, sinal de que as regiões mais distantes dos grandes centros estão nascendo “rápidas”, impulsionadas por corredores logísticos e rodoviários.

O Centro-Oeste (+23,7%) e o Sul (+23,4%) vieram logo atrás no crescimento total, ambos com forte avanço de DC (36,3% e 35,8%). O Sudeste, maior base instalada do país, cresceu 18,1%, um ritmo mais moderado, mas ainda concentrando o maior volume absoluto de carregadores.

Chama atenção o avanço do DC em todas as regiões: a recarga rápida cresceu acima de 33% no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, confirmando uma mudança de perfil da infraestrutura nacional. (Foto: ABVE/Divulgação).

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